Autor: Gabriel Guerra Braga Pereira (Currículo Lattes)
Resumo
O atual ambiente organizacional, notadamente no setor financeiro, é marcado por uma intensa cobrança por resultados, produtividade e otimização constante do trabalho. Diante de estruturas que exigem o cumprimento de metas cada vez mais agressivas, observa-se uma tendência à supressão emocional e à negação de fraquezas. Nesse cenário de extrema pressão, a positividade tóxica surge como a "gota d'água" de uma cultura corporativa disfuncional, impondo uma exigência por otimismo irreal que obriga os trabalhadores a se manterem inabaláveis sob qualquer circunstância, ignorando problemas genuínos. Diante desse contexto, o objetivo geral desta pesquisa consiste em analisar o papel da positividade tóxica na relação entre o uso do Sistema de Mensuração de Desempenho (PMS), o engajamento e o desempenho do funcionário, explorando este último sob uma perspectiva estritamente individual de análise. Para alcançar esse objetivo, adotou-se uma abordagem metodológica quantitativa e descritiva, operacionalizada por meio de uma survey. A população do estudo delimitou-se ao setor bancário privado brasileiro, historicamente reconhecido por sua alta exigência. A amostra final foi composta por 95 gestores de nível médio (gerentes) vinculados à bancos privados listados na B3 (Bolsa de Valores do Brasil). Os dados coletados foram analisados utilizando a técnica de Modelagem de Equações Estruturais por Mínimos Quadrados Parciais (PLS-SEM). Os resultados confirmaram grande parte do modelo teórico proposto. Primeiramente, as hipóteses confirmadas atestaram que o uso interativo do PMS apresenta uma associação negativa e significativa com a positividade tóxica, demonstrando que o uso da ferramenta com foco em diálogo reduz a pressão por um otimismo irreal no trabalho. Além disso, confirmou-se que a positividade tóxica afeta negativamente o engajamento do funcionário, atuando como um dreno de seus recursos cognitivos. Sequencialmente, validou-se que o engajamento impacta de forma direta e positiva o desempenho individual, evidenciando que profissionais verdadeiramente imersos entregam resultados superiores na execução de suas tarefas formais. Por outro lado, a hipótese de que o uso diagnóstico do PMS reduziria a positividade tóxica foi rejeitada; os achados mostraram o efeito inverso, apontando que o monitoramento rígido atua como um impulsionador da positividade tóxica. Aprofundando esses achados, a análise complementar atestou a existência de relações seriais indiretas. Constatou-se um efeito em cascata com desfechos opostos dependendo do controle adotado: enquanto o uso diagnóstico do PMS fomenta a positividade tóxica, o que esgota o engajamento e, consequentemente, prejudica o desempenho individual, o uso interativo atua de forma inversa e benéfica. Ao mitigar a positividade tóxica, o uso interativo do PMS preserva a capacidade de engajamento do funcionário, o que se traduz em um melhor desempenho final. Conclui-se que o excesso de controle diagnóstico atrelado à exigência de uma atitude irrealmente positiva gera altos custos para as entregas do trabalhador, evidenciando que a moderação e o uso interativo do PMS são essenciais para manter o engajamento e garantir a performance individual.